Barra de São João abriga espécie de peixe criticamente ameaçada de extinção
Um dos últimos refúgios para o peixe das nuvens vai virar unidade de conservação

      

Técnicos da Prefeitura de Casimiro de Abreu, Ibama e ICMBio estiveram em Barra de São João no fim de semana, dia 07 de abril, para uma vistoria em um dos últimos refúgios da espécie de peixe Killifish, popularmente conhecido como peixe das nuvens. Durante a visita, foram coletados 36 indivíduos e levados para o Aquário Municipal de Belo Horizonte com vistas ao desenvolvimento de estudos sobre a ecologia da espécie. Também foi coletada amostra de solo para um melhor conhecimento do habitat no local.

De acordo com a secretária municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Casimiro de Abreu, Denise Rambaldi, trata-se de uma espécie endêmica e criticamente ameaçada de extinção. Por isso, a Prefeitura vai transformar o habitat dos Killifishes em área de preservação, visando a recuperação e proteção das populações desses peixes.

        

A secretária explicou que a descoberta da ocorrência da espécie aconteceu em 2001, por técnicos do Centro de Pesquisa e Conservação de Peixes Continentais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (CEPTA/ICMBio), quando tiveram início as tratativas para a proteção da espécie. Em 2003, o Poder Público municipal editou o Decreto no. 060/2003 declarando de utilidade pública os lotes de ocorrência comprovada da espécie para fins de desapropriação com vistas à preservação de peixes raros ali existentes. “À época da edição do Decreto ainda não existia a Secretaria de Meio Ambiente, o que pode ter resultado na descontinuidade das ações posteriores ao Decreto e que resultariam na proteção efetiva das espécies”, falou.

Decorridos mais de uma década, os terrenos desapropriados não foram indenizados e nem ocupados. Dentre os lotes desapropriados, dois deles foram aterrados sem a devida autorização, atividade que foi imediatamente suspensa pela Semmads. “Em razão da relevância da área no cenário nacional e internacional, e considerando que o Decreto publicado perdeu os seus efeitos, a Prefeitura editará novo decreto declarando a área de utilidade pública e envidará todos os esforços junto ao Governo Estadual e Federal para indenizar os proprietários desapropriados, e recuperar a área”, ressaltou Denise.

Killifishes – A família dos Rivulídeos é constituída por peixes de pequeno porte, raramente chegando aos dez centímetros de comprimento total, que vivem em ambientes aquáticos muito rasos, parcial ou completamente isolados de rios e lagos, como as áreas marginais de riachos ou brejos. As características mais marcantes dos peixes Rivulídeos são os diferentes padrões de colorido das espécies e seus tipos de desenvolvimento, anual e não anual.

Os peixes anuais, ou peixes das nuvens que são também conhecidos como Killifishes, são sempre encontrados em ambientes aquáticos sazonais ou temporários, que são formados durante as épocas chuvosas e podem permanecer secos por longos períodos. Nas espécies que possuem esse tipo de desenvolvimento, ovos resistentes em diapausa sobrevivem durante os meses da estação seca, eclodindo logo após as primeiras chuvas. A partir de então, o desenvolvimento do peixe é extremamente rápido, às vezes chegando à maturidade sexual em apenas um mês. Os demais rivulídeos, chamados “não anuais”, vivem em brejos e riachos perenes e são encontrados em todas as épocas do ano.